População de rua do Recife chega a 1,8 mil com maioria de homens e negros

Há 1.806 pessoas em situação de rua na capital pernambucana, segundo o Censo da População de Rua do Recife. O estudo, inédito no Estado, foi tocado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) em parceria com a Prefeitura do Recife e divulgado na última sexta-feira.
O número é 30% maior que o da última contagem feita pela gestão municipal. Em 2019, eram 1.400 pessoas vivendo ao relento. A metodologia utilizada à época, contudo, foi diferente e apenas quantitativa.
“A Prefeitura do Recife vai ter agora um instrumento mais sistematizado, teorizado, uma racionalidade que não vai estar só no número, mas na análise qualitativa para a construção de políticas públicas mais efetivas”, disse o professor Humberto Miranda, coordenador do Instituto Menino Miguel, da UFRPE.
O recenseamento foi feito entre setembro e outubro de 2022 com pessoas que usam as ruas para dormir ou tirar o sustento, de forma permanente ou temporária. Após a contagem, em dezembro e janeiro deste ano, foi aplicado o formulário de pesquisa amostral sociodemográfica nas ruas da cidade durante à noite, nas unidades de acolhimento e nas quatro unidades do Centro Pop do município.
“A forma como o documento foi construído também foi muito importante, porque contou com a participação de profissionais e colaboradores que já tem a vivência com a população de rua, o que tornou o processo muito mais valoroso. O documento será essencial para agregar valor às nossas atividades e qualificar os nossos serviços”, afirmou a secretária Ana Rita Suassuna, da SDSDHJPD.
O Censo 2022 mostrou que essa população tem cor, gênero e idade bem definidos. A maioria, 76%, é do sexo masculino, 80% autodeclarou-se preta ou parda e 83% é adulta. Apesar dos homens cisgêneros representarem 75%, a presença de mulheres cisgêneros e de mulheres trans têm crescido, correspondendo a 25%.



