
Não é a feira de Caruaru, mas parodiando a célebre canção de Onildo Almeida, “de tudo que há no mundo, nela tem pra vender”. Esta outra feira está acontecendo no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, até este domingo (19). Trata-se da Fenearte, onde o consumidor pode encontrar redes, vasos, bordados, bijuterias, objetos em prata, café com notas de limão siciliano, obras de arte, uma estrutura de casa de farinha compondo um presépio popular esculpido pelo mamulengueiro Miro dos Bonecos, de Carpina, santos, roupas etc. E ainda tem os que depois da pandemia mudaram completamente a sua vida e hoje estão enveredando por novos caminhos nos estandes da feira.
Durante a Fenearte, chamou a atenção a Nossa Senhora dos Anjos, do artista Marcelo Tavares. Muitos visitantes tiraram fotos com a santa que está num local de destaque no estande do artista. Ele passou 15 anos ensinando artes em vários colégios do Recife, mas só começou a esculpir durante a pandemia e a pintar mais também depois de ficar isolado como consequência das restrições para evitar a contaminação pelo coronavírus.
“Em 2019, fui na Fenearte como visitante e começou a despertar algo em mim. Comecei a pintar telas, fui postando, vendendo. Não tinha visão de empreender. Logo no começo da pandemia, passei quatro meses isolado em casa. E comecei a pintar os quadros. Depois de dois meses, estava sem paciência. Passei 15 dias sem fazer nada. De repente, me deu uma vontade de pintar e comecei também a comprar pequenos objetos, vasinhos, para pintar”, lembra Marcelo Tavares.
E o que surgiu para passar o tempo acabou se tornando um dos seus ofícios. Ele agora esculpe as peças que desenha. “Antes, desenhava a peça e mostrava para o artesão, que esculpia e entregava a peça pronta. Agora, eu mesmo faço a peça e pinto. Senti dificuldade de depender de outra pessoa para concluir um trabalho. Às vezes, não ficava do jeito que eu queria”, conta Marcelo. Ele está modelando as peças de barro somente há seis meses.
A atual Fenearte é a primeira que Marcelo está participando. As peças mais baratas no seu estande custam R$ 15 e eram umas “cumbuquinhas” que já acabaram. Ele também levou várias figuras de São Francisco de Assis e só restava um na quinta-feira (15). “O estande foi bem visitado, as vendas foram boas, as pessoas passam e dão os parabéns pelo trabalho. Foi emocionante estar na feira no meio de pessoas que admiro como artista. Fui trazendo peças todos os dias para renovar o estande, caso contrário já estava vazio. Não foi fácil chegar até aqui depois da pandemia”, afirma.
Fonte: Afogados FM



