Exposição que celebra 50 anos do Movimento Armorial e homenageia Ariano Suassuna chega ao Museu do Estado

Mostra ‘Movimento Armorial 50 Anos’ apresenta 140 obras, de artistas como Gilvan Samico, Francisco Brennand e Zélia Suassuna. Abertura acontece na quarta (18) e a entrada é gratuita.
Uma exposição em comemoração ao aniversário do Movimento Armorial abre no Recife na quarta-feira (18). A mostra “Movimento Armorial 50 anos” celebra o movimento criado pelo escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014), que é patrono da cultura de Pernambuco.
São expostas 140 peças de artistas como Francisco Brennand, Gilvan Samico, Aluísio Braga, Zélia Suassuna e o próprio Ariano Suassuna, com curadoria de Denise Mattar. As obras fazem parte de acervos particulares de colecionadores e instituições públicas, como o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães (Mamam), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Oficina Brennand.
A exposição fica aberta ao público no Museu do Estado de Pernambuco (Mepe), no Bairro das Graças, Zona Norte do Recife, até o dia 7 de janeiro. A visitação é gratuita, mas é necessário que o público reserve os ingressos na internet.
A proposta da exposição é oferecer uma imersão no Movimento Armorial através das artes plásticas, da música, da dança, da xilogravura, da literatura de cordel, do cinema e de recortes das aulas espetáculos do mestre Ariano.
A mostra ocupa o térreo e as três galerias do piso superior do Museu do Estado. No térreo é apresentada uma cronologia ilustrada com fotos raras da trajetória pessoal e artística de Suassuna.
Também está exposta uma alegoria de quase quatro metros da Onça Caetana – personagem de mitos sertanejos presente na obra de Ariano – do bonequeiro Agnaldo Pinho, além de uma obra do xilogravurista Pablo Borges, feita especialmente para a visitação recifense. Completam essa sessão estandartes de diversas agremiações e capas de livros do escritor.
No piso superior os visitantes podem conferir os figurinos criados por Francisco Brennand (1927-2019) para o filme “A Compadecida” (1969), primeiro longa baseado na peça teatral “Auto da Compadecida”, de Ariano.
Também são expostas obras de Gilvan Samico – que ganha uma sala em sua homenagem – e de Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos, Fernando Barbosa e Lourdes Magalhães.
A família de Ariano se faz representada com obras de Manuel Dantas Suassuna, Zélia Suassuna e Romero de Andrade Lima.
Em uma outra sala, dedicada exclusivamente a Ariano, são expostos três painéis que mostram o trabalho dele como artista plástico. As obras, que hoje fazem parte do acervo de um colecionador, ficou por muitos anos em um hotel no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife.
A sala traz ainda a série de iluminogravuras, que combinam textos e desenhos do mestre. Ainda no primeiro andar, está exposto o alfabeto armorial criado por Ariano a partir de estudos com tipografias inspiradas nos ferros de marcar gado.
Movimento Armorial
O Movimento Armorial foi fundado no Recife, em 1970. O dia 18 de outubro marca o início oficial do movimento, “que se inspira em elementos da cultura popular para conceber obras eruditas em diversas linguagens artísticas”, de acordo com a produção do evento.
Foi em 18 de outubro de 1970 que o Quinteto Armorial se apresentou na Catedral de São Pedro dos Clérigos, no Pátio de São Pedro, região central do Recife, no concerto que registra o início do movimento.

‘Onça Caetana’, da exposição ‘Movimento Armorial 50 Anos’ — Foto: Daniela Nader/Divulgação
Para celebrar a data, a igreja volta a abrir suas portas para a música armorial no dia de inauguração da mostra, quarta (18), para uma apresentação dos Encontros Petrobras de Música Armorial, com o espetáculo “Concerto para Ariano – 53 anos do Armorial”. O grupo Quinteto da Paraíba, que há 32 anos se dedica à música armorial, se apresenta na ocasião.
Fonte: G1



