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Brasil se preocupa com fertilizantes da Rússia, mas fechou grande mina de fosfato que tinha em Olinda.

Na década de 50, a família Costa Azevedo – dona das terras onde havia fosforita – implantou uma indústria pioneira de fertilizantes onde hoje é o bairro de Peixinhos.

Antiga Fábrica Fosforita no bairro de Peixinhos, em Olinda – FOTO: Pernambuco Arcaico

No ano passado, o Brasil importou 41,6 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes, 24% delas vindas da Rússia, fato que tem justificado a posição de neutralidade do País em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia. Foi com esse fertilizante que o Brasil produziu sua safra de 284,3 milhões de toneladas de grãos e mais 580 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, em 2021.

Mas o País – produtor de classe mundial – nunca apostou numa indústria forte para a produção de adubos e fertilizantes para atender esse mercado. Após a crise da Petrobras em 2014, a companhia decidiu sair do negócio, paralisando sua fábrica de fertilizantes nitrogenados em Araucária (PR), em março de 2020.

A estatal também acabou vendendo, no último dia 4 de fevereiro, para o grupo russo Acron, sua fábrica de fertilizantes em Três Lagoas (MS), que está com mais de 80% das obras concluídas para produzir uréia fertilizante, uréia para uso industrial, amônia, gás carbônico e sulfato de amônio.

O que pouca gente sabe é que na década de 1980, a empresa Norfértil S.A. Mineração, Indústria e Comércio – uma associação entre os grupos Petrobrás e LundgreI, com participação minoritária do Governo do Estado -, também se desfez de uma planta de produção de adubos, construindo sobre uma gigantesca mina de fosfato em Olinda e Paulista milhares de residências, em função do adensamento populacional na área norte da Região Metropolitana do Recife.

Recife Arcaico
A Extração do Fosfato Pela Fosforita S/A, Poço Azul e o Poço da Lavadeira – Olinda Início da Década de 1960. – Recife Arcaico

SONHO DE PERNAMBUCO

Esse é a história da fosforita, descoberta em 1949 pelo professor Paulo José Duarte, da UFPE, que desencadeou intensivas investigações, tanto por órgãos governamentais, como por empresas privadas, e que hoje está sob diversos bairros residenciais de Olinda e Paulista.

Segundo estudo do geólogo Nélio das Graças de Andrade da Mata Rezende, autor de “O Fosfato de Olinda e os Conflitos de Mineração”, esse é um caso histórico e ilustrativo, em que a exacerbação da causa ecológica e o uso do solo sem planificação adequada privaram a sociedade de insumos geradores de alimentos e empregos.

Na década de 50, do século passado, os donos das terras onde havia fosforita eram a família Costa Azevedo. Ela chegou a implantar uma planta que funcionou até a década de 70 e fez o DNPM elaborar um programa, executado pela CPRM, sob a denominação de “Projeto Fosfato na Faixa Sedimentar Costeira Pernambuco- Paraíba”, que previa o aproveitamento da fosforita para a produção de fertilizantes.

Indústria pioneira de fertilizantes, cuja produção, no período 1957-67, obteve uma das maiores expressões no cenário mineral do País, beneficiando mais de quatro milhões de toneladas de minério. Mas, em 1968, a empresa pediu falência devido aos baixos preços do fosfato.

Na verdade, a ocupação urbana na área dos depósitos nos anos de 1974 e 1988, tornou clara a elevada taxa de expansão habitacional ocorrida para atender a pressão das atividades de comércio, indústria e agricultura, instaladas ao longo da rodovia BR-101.

O próprio desenvolvimento urbano da Região Metropolitana do Recife e a valorização dos terrenos, grande parte das reservas de fosforita, ficaram situadas em áreas de grande densidade demográfica, o que, associado ao desencanto dos mineradores, dificultava uma retomada dos trabalhos de exploração.

A fosforita vendeu suas áreas e o projeto da Norfertil, aprovado pela SUDENE desde 1984, não entrou em funcionamento total.

Divulgação
A fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, – Divulgação

VOLTA DA PETROBRAS

No governo Lula, a Petrobras voltou a se interessar pela produção de adubos. Mas segundo o Coordenador Geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, a partir de 2014 o Brasil -que antes a Petrobras produzia em Sergipe, Bahia e Paraná -, optou pela importação.

Com a aquisição da Fafen-PR, a companhia reforçou seu Plano de Negócios e Gestão 2013-2017 no setor com as duas fábricas: a Fafen-SE, com capacidade de produção de 657 mil toneladas/ano de ureia e 456 mil toneladas/ano de amônia, e a Fafen-BA, com 474 mil toneladas/ano de ureia e 474 mil toneladas/ano de amônia.

Mas com a crise da Petrobras no escândalo na Operação Lava Jato, veio a decisão de se desafazer de ativos não dedicados à área de petróleo. A Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobrás no Paraná (Fafen-PR) foi fechada em março de 2020.

Na época, ela era responsável pela produção de 30% do mercado brasileiro de ureia e amônia, e 65% do Agente Redutor Líquido Automotivo (ARLA 32), aditivo para veículos de grande porte que atua na redução de emissões atmosféricas.

A Fafen-BA, cujo principal produto era amônia, uréia, gás carbônico e Agente Redutor Líquido Automotivo (Arla 32), também foi hibernada em 2018, até ser arrendada à Proquigel, subsidiária da Unigel, em 2020, junto com outra unidade, a Fafen-SE, produtora de uréia fertilizante, uréia para uso industrial, amônia, gás carbônico e sulfato de amônio (também usado como fertilizante).

Finalmente, no último dia 4 de fevereiro, o grupo russo Acron comprou a fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, que está com mais de 80% das obras concluídas e que terá capacidade de produzir 3.600 toneladas de uréia e 2.200 de amônia por dia.

Ministério da Agricultura
Ministra Tereza Campelo negociou a venda para o grupo russo Acron da fábrica de fertilizantes da Petrobrás em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. – Ministério da Agricultura

Para que serve o fosfato? Benefícios e propriedades.

Existem diferentes tipos de fosfatos mas todos têm em comum um átomo de fósforo rodeado por quatro átomos de oxigénio em forma tetraédrico.

Por exemplo os fosfatos presentes nos seres vivos aparecem sempre na forma de ortofosfato, um ião de fosfato solúvel com a fórmula PO-3. Comummente se denomina como fosfato inorgânico porque também pode ser obtido a partir de reações inorgânicas (Pi), tanto o ácido fosfórico como os seus sais são substâncias inorgânicas.

fósforo é uma substância fundamental para a vida, a formação de pirofosfato (P2O74- o PPi) a partir do ião ortofosfato ou da sua hidrólise, é a base das reações energéticas do corpo humano. O PPi se obtém por exemplo da hidrólise do ATP a AMP (ATP → AMP + PPi).

Outras funções importantes dos fosfatos são a formação dos nucleótidos, componentes do ADN e outros ácidos nucleicos, composição de alguns lípidos de membrana como os fosfoglicéridos. Do mesmo modo, os fosfatos intervêm na estrutura celular, no transporte e armazenamento de energia, assim como no funcionamento das vitaminas e em outros muitos processos essenciais para a saúde.

Os fosfatos estão presentes de forma natural nos alimentos. Os alimentos com maior teor de fosfato são os lácteos, as carnes, os cereais integrais, os frutos secos e as bebidas de cola. Os fosfatos presentes nos laticínios e na carne, parecem ser mais fáceis de absorver do que os presentes nos cereais.

Além disso, os fosfatos têm diferentes aplicações na indústria alimentar, já que podem ser utilizados como acidificante (ácido fosfórico), estabilizante (sais de sódio e de potássio) ou para manter a hidratação e a suculência dos produtos cárneos. Os fosfatos de magnésio podem ser utilizados como antiaglomerante.

Outros tipos de fosfatos são os fosfatos orgânicos (ésteres do ácido fosfórico) e os trifosfatos, embora estes não sejam utilizados nos alimentos, pois contêm propriedades não saudáveis.

Aplicações

Os sais de fosfato se utilizam como fonte de fósforo. Costumam ser utilizadas em caso de níveis baixos de fosfato no sangue e também de níveis muito elevados de cálcio no sangue e inclusive para prevenir a formação de cálculos renais. Porém, também são aplicados para o tratamento de outras patologias como as patologias ósseas, como a osteomalacia em adultos ou o raquitismo em crianças e outros problemas como a sensibilidade dentária.

Os sais de fosfato se utilizam também para melhorar o rendimento físico dos desportistas, inclusive como antiácido em pessoas com refluxo gastroesofágico (ERGE), embora seja ainda necessário mais investigações para ambas as aplicações e para poder afirmar como efetivo o efeito dos fosfatos.

Precauções

Não foram reportados efeitos secundários realizando um consumo moderado. A ingestão de fosfato expressada como fósforo, se considera que não deve ser superior a 4 g/dia para os adultos menores de 70 anos de idade e de 3 g/dia para as pessoas de idade superior.

Fontes de pesquisas: JC e NT

Charles Maia

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