Dicas de NegóciosEconomiaMundoNegócios

Via, CSN e outras empresas anunciam recompra de ações. O que isso significa para o investidor?

Nos primeiros dias de dezembro, várias empresas vieram a mercado comunicar a abertura de programas de recompra de ações. Entre elas, aparecem nomes como ViaCSNVamos e Iguatemi. Algumas vêm enfrentando um período difícil, caso da varejista proprietária das Casas Bahia e Ponto Frio – cujos papéis contabilizam perdas acumuladas de mais de 65% no ano, em meio à derrocada do e-commerce e após um balanço do 3º trimestre que desagradou ao mercado.

Não é raro que esses movimentos sejam realizados em momentos de estresse. Isso porque o que motiva as empresas a recomprar suas ações é a constatação de que o valor de mercado dos papéis está exageradamente depreciado, diante do preço que consideram justo. Nesse momento, pagar barato pela compra das próprias ações pode fazer sentido por vários motivos.

Um deles é a tentativa de defender o próprio valor da empresa, protegendo-o de um cenário de irracionalidade do mercado ao tirar os papéis de circulação. Mas às vezes o contexto é completamente diverso, e a companhia usa a recompra como ferramenta para beneficiar os próprios acionistas ou até mesmo preparar voos mais altos, como aquisições. Cada um desses cenários tem um significado diferente – positivo ou negativo – para o investidor.

Que razões levam uma companhia a decidir recomprar suas ações? Em linhas gerais, uma empresa opta pela recompra das ações quando avalia que o atual preço de mercado delas está abaixo do que ela entende como o valor justo.

“Isso costuma ocorrer em momentos de volatilidade e incerteza, como o atual, que comprometem a racionalidade dos fundamentos micro e macroeconômicos. Para se proteger dessa irracionalidade, a empresa opta por recolher as ações da negociação, considerando que o mercado não está avaliando corretamente seu real valor”, afirma Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos.

Nesse caso, a empresa poderá custodiar (guardar) os papéis em sua tesouraria e aguardar um momento mais propício para vendê-los novamente ao mercado, a um preço maior.

Mas há outros contextos que justificam a recompra das ações. A empresa pode querer usar os papéis internamente – seja para dar uma gratificação a executivos ou outros acionistas, seja como parte do pagamento dado em uma operação de aquisição.

A companhia poderá, ainda, cancelar essas ações, reduzindo a oferta de papéis em circulação. Nesse contexto, a recompra de ações acaba servindo como um mecanismo para beneficiar os acionistas. “Quando a empresa recompra e cancela os papéis, a quantidade de ações e acionistas vai diminuir. Logo, o lucro total da companhia será dividido por menos pessoas. Cada uma vai reter mais lucro pelas ações que possui”, explica Paulo Luives, assessor da Valor Investimentos.

Por fim, pode ser que a empresa tenha dinheiro sobrando em caixa e simplesmente não tenha em vista um projeto novo, uma aquisição ou qualquer uso melhor para esse capital ocioso.

O que a recompra de ações diz sobre a companhia? A leitura é mais negativa ou positiva? Isso vai depender da motivação que serve como pano de fundo. Há muitos casos em que a atitude é bem vista pelo mercado. Quando sinaliza que conhece bem o seu próprio valor, a empresa está expressando sua confiança no negócio. Além disso, a decisão de aguardar um momento mais adequado para soltar os papéis revela zelo e prudência.

“A recompra para cancelamento das ações também é tida como positiva. Ao cancelar as ações, a distribuição de dividendos da empresa será realizada entre um menor número de acionistas. A empresa vai reter mais o lucro pelas ações que possui, vai ficar mais capitalizada, o que também é bom”, explica Simone.

Por outro lado, se a companhia possuía um excedente de caixa e simplesmente não tinha nada melhor para fazer com ele, isso demonstra que ela não tem em seu horizonte projetos interessantes, não está investindo no negócio ou não tem espaço para crescer. E nada disso é bom.

“Isso pode ser muito negativo quando as concorrentes do setor estão investindo em novos projetos, o que mostra que essa empresa está alocando mal seus recursos”, afirma Luives.

O que o investidor deve levar em conta ao decidir se vende ou não os papéis de sua titularidade? De um lado, ele deve procurar analisar os fundamentos da empresa e o que está por trás dessa recompra de ações. “O processo pode ser um bom sinal, ao indicar a administração mais eficiente da estrutura de capital, ou indicar dificuldades e estagnação”, diz Simone.

A economista da Reag ressalta que aquele pode ser o momento certo não para o acionista vender suas ações, e sim para comprar mais papéis da empresa. “Afinal, uma das hipóteses é que a empresa esteja com cotação inferior ao seu valor. Nesse caso, pode vir uma tendência de elevação do preço mais à frente.”

De outro lado, cabe olhar para as próprias necessidades e a situação da carteira. “Ele deve ponderar se precisará de caixa em breve, se há melhores oportunidades em que esse dinheiro possa ser usado, se é o momento de rebalancear a carteira”, resume Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos. “A participação das ações no portfólio dele subiu ou caiu muito? A visão dele para a companhia continua positiva? Ele entende que o desempenho da empresa continuará interessante nos próximos 5 ou 10 anos, ou isso mudou um pouco? Tudo isso tem que ser resolvido na cabeça do investidor.”

A recompra costuma ser feita por um valor justo? Talvez você imagine, ao ver o anúncio de recompra de uma empresa, que os investidores interessados venderão os papéis diretamente para ela. Mas não é bem assim que acontece. Na verdade, a negociação é feita a mercado. A empresa entra na Bolsa como qualquer outro investidor, por meio de uma corretora, e faz a compra de quantos papéis desejar.

“Ela apenas tem a obrigação de soltar um fato relevante anunciando o programa de recompra e quanto ela pretende comprar. Como isso é feito a mercado, onde há compradores e vendedores, não há um preço fixo”, explica o assessor da Valor. Ela só define um preço ao qual vai recomprar quando está fazendo o fechamento do capital.”

Na prática, como a recompra de ações se reflete no valor de mercado dos papéis? Eles sobem automaticamente, o mero anúncio da recompra já desencadeia um fluxo comprador pelo mercado? Ou não necessariamente? “Não necessariamente. [A valorização] depende de uma percepção dos investidores de que aquele é um bom momento para a recompra”, responde Gustavo Akamine, analista da Constância Investimentos. “Vamos supor que a empresa já esteja muito alavancada. Se o mercado entende que esse endividamento é exagerado e a companhia prefere gastar dinheiro recomprando ações, em vez de quitar dívidas, isso pode levar a uma queda no preço dos papéis. “O efeito da recompra passa por uma avaliação do mercado de que essa é uma decisão acertada.”

Cruz, da RB, explica que o impacto sobre o valor de mercado das ações varia conforme o pano de fundo da recompra. “Às vezes a companhia anuncia [a recompra] e a ação dispara, porque o mercado interpreta que ela está se posicionando para fazer uma aquisição [ela quer ter ações em caixa para usá-las na compra. Já se a empresa não tem projetos e está meio estagnada, isso é negativo, então as ações não sobem”, afirma.

Luives diz que o resultado da recompra depende também da situação do mercado em que a empresa está inserida. “No contexto atual de queda de empresas de varejo, o cenário macro dessas empresas é avaliado pelo mercado como muito desafiador e, por isso, o preço das ações continuou caindo. Mas se é aquele é um mercado em alta e a empresa anuncia uma recompra, de ações, isso pode ajudar a puxar os preços para cima.”

Charles Maia

Site de noticia dinâmico e social. Trabalhos do dia a dia de nossa sociedade. Contando histórias de sucesso de povo sertanejos e trajetórias de orgulho de homens e mulheres que tanto contribuíram para o nosso crescimento e conhecimento.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo