Afogados da IngazeiraNoticia Urgente

Missa em memoria de Antonio Manuel Maia, organizada por amigos e familiares.

Acontecera hoje no seminário São Judas Tadeu em Afogados da Ingazeira, uma missa em memória de Antonio Manuel Maia Bazantt de Barros, filho do Prof. e Empreendedor Charles Maia e da Assistente Social e Enfermeira Fernanda Kelly Maia.

Antonio Manuel Maia, faleceu no último dia 26 de novembro.

Local: Seminário Rua São Judas Tadeu (Rua Júlio Câmara 457 Centro).

Horário: 19 horas

Poema para Antonio Manuel Maia

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.


Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza
E tão humana que é divina
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda a parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Depois eu conto-lhe histórias das coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras, da hipocrisia e da vaidade.
E das relações materiais.

Da ganância humana e patética.  

Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.
Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu ser criança e o homem que você sempre foi.

O mais forte, sábio e corajoso que já conheci.  
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me no teu sono, tão verdadeiro e real.

E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Te amor meu filho, Digo isto com toda a clareza e verdade.

Você me ensinou o que é amor, e como se deve amar.

Seu pai Charles Maia.

Poema baseado na obrar Menino Jesus de Fernando Pessoa

Charles Maia

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