Estudantes da UFPE passam mal após jantar no restaurante universitário; instituição investiga casos

Movimento estudantil recebeu, ao menos, 40 relatos de alunos que tiveram náusea, vômito e diarreia. Na sexta (1º), casos semelhantes foram registrados em duas escolas estaduais das cidades de Paulista e Jaqueira.
Estudantes da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) relataram neste sábado (2) que tiveram sintomas de intoxicação alimentar desde que jantaram no Restaurante Universitário (RU), na sexta-feira (1º). As denúncias estão sendo investigadas pela instituição (veja vídeo acima). Segundo a UFPE, são servidas, em média, 3.300 refeições por dia na unidade.
Na sexta-feira (1º), casos semelhantes foram registrados em duas escolas estaduais localizadas nas cidades de Paulista, no Grande Recife, e Jaqueira, na Zona da Mata Sul. Ao menos, 42 pessoas, incluindo alunos e funcionários, precisaram ser socorridos após ingerir a merenda escolar.
Estudante do curso de letras e integrante do movimento estudantil Todas as Vozes, Gabriel Mira disse ao g1 que recebeu, ao menos, 40 relatos de alunos que sentiram náusea, vômito e diarreia depois de jantarem no RU.
Entre os itens servidos no restaurante, de acordo com os relatos, estavam calabresa, arroz, salada e canjica.

“É complicado porque tem gente que se alimenta lá e que é das CEUs (Casas de Estudantes Universitárias). Gente que não é do Recife, mora aqui só para estudar e tem alimentação isenta no RU. E aí está basicamente todo mundo das Casas de Estudantes passando mal”, disse Gabriel.
Fechado durante a pandemia, o RU da UFPE foi reaberto em maio deste ano. Segundo o estudante, desde então, a unidade tem apresentado diversos problemas.
“Ele [o RU] vem apresentando muitas complicações por conta da qualidade da comida, por conta de comida. Comida que falta do nada”, afirmou o estudante.
Segundo informou a UFPE, o restaurante é gerido pela empresa General Goods Ltda. A companhia era a fornecedora dos alimentos servidos na Escola Técnica Estadual Luiz Alves Lacerda, onde, em 2022, 60 alunos tiveram problemas de saúde por intoxicação alimentar.
O que diz a UFPE
Procurada pelo g1, a UFPE disse que recebeu a informação sobre as denúncias pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição.
A universidade afirmou ainda que a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Proaes) solicitou o encaminhamento de amostras das refeições para análise e agendou uma reunião com a empresa responsável pela gestão do Restaurante Universitário, a General Goods, para segunda-feira (4).
Além disso, a UFPE informou que enviou uma equipe de enfermeiros do Núcleo de Apoio à Saúde do Estudante (Nase) e acionou a Vigilância Sanitária para prestar assistência aos alunos.
Para os casos que necessitam de atendimento médico, a universidade disse que vai dar apoio nos encaminhamentos para unidades de saúde.
A Secretaria de Saúde do Recife informou que foi notificada da ocorrência de intoxicação no restaurante universitário. De acordo com a secretaria, equipes da Vigilância Sanitária e do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do município começaram a investigar o caso.
A secretaria disse ainda que vai coletar amostras no local e apurar os fatos junto às pessoas com sintomas de intoxicação para descobrir as causas do problema.
O que diz a empresa General Goods
Procurada pelo g1, a General Foods afirmou em nota que “está atuando conjuntamente com as autoridades sanitárias no sentido de identificar as possíveis causas do incidente”.
Ainda no texto, a empresa afirma que “trabalha com rígidos padrões e monitora constantemente indicadores de qualidade para a segurança alimenta”. A empresa diz também que a Vigilância Sanitária realizou, esta semana, “uma inspeção na nossa operação no RU e não identificou qualquer irregularidade”.

Adolescentes passaram mal em escolas
Dezenas de estudantes e profissionais de, ao menos, duas escolas estaduais passaram mal, foram socorridos e levados para unidades de saúde na sexta (1º), em Paulista, no Grande Recife, e em Jaqueira, na Zona da Mata. Nas duas escolas, as aulas foram suspensas.
As pessoas sentiram náuseas e vomitaram. Ao menos, 42 pessoas apresentaram sintomas nas duas cidades, segundo informações das gestões municipais.



